Edição nº 146
Edição nº 146

Tommy Emmanuel

Living In The Light

Por: Caio Garcia

Em outubro de 2025, o virtuoso Tommy Emmanuel lançou mais um trabalho de inéditas, intitulado Living In The Light. O álbum foca principalmente em faixas instrumentais de violão clássico, mas também apresenta músicas com arranjos mais completos, incluindo outros instrumentos e até vocais.

O disco foi produzido pelo próprio Tommy, em parceria com Vance Powell, responsável pela gravação e mixagem. Sua principal característica é a mistura de referências e estilos, transitando do pop contemporâneo até os primórdios da música clássica. Segundo o próprio Tommy, o álbum sintetiza sua alma e suas experiências de viagens pelo mundo, refletindo a maneira única como ele desenvolveu sua forma de tocar.

Durante a gravação, Tommy utilizou seu violão Signature Maton EBG808TE. A maior parte das faixas foi gravada em no máximo dois takes, fato que deixou o músico visivelmente satisfeito e realizado com mais este lançamento.

No repertório instrumental, várias faixas parecem transcender a experiência auditiva, com títulos que funcionam como diretrizes subjetivas para o que deve ser visualizado e sentido.

Em “Young Travelers”, por exemplo, é possível perceber a sensação de viagem, seja pelas estradas do mundo ou pelo próprio percurso da vida, onde experiências pessoais se transformam em paisagens sonoras. “A Drowning Heart” explora o modo Lídio, criando intensidade sem definição precisa e convidando o ouvinte a refletir sobre seu próprio coração. “Scarlet’s World” é uma homenagem à neta de Tommy, celebrando sua trajetória de vida.

Gdansk”, o nome de uma cidade portuária da Polônia, é uma música que transmite uma paisagem nostálgica por meio de progressões descritivas. “Little Georgia” segue o mesmo princípio, mas com tom melancólico e contemplativo. “Initiation 25”, por sua vez, é a faixa mais obscura do álbum, repleta de delays, fraseados marcantes e acompanhamento percussivo, construindo tensão que só se resolve no final. “Black and White to Color” combina rockabilly, harmonia erudita e licks de blues, criando uma fusão singular. “You Needed Me” encerra o bloco instrumental com uma balada sensível, cheia de acordes diminutos e dominantes, expressando sentimentos sem palavras.

Tommy também explora sua voz neste trabalho. “Maxine” é uma balada country com refrão marcante e solo de guitarra, surpreendendo o ouvinte que até então se deparava apenas com instrumentais acústicos. “Ready For The Times To Get Better” adota abordagem intimista com voz e violão. O álbum fecha com “Ya Gotta Do What Ya Gotta Do”, marcada por groove estático, baixo compassado e melodia vocal em estilo pergunta-resposta.

Ao final da audição, fica claro que a genialidade de Tommy Emmanuel é imensurável. Ele consegue inovar usando poucos recursos, mostrando que a qualidade de um disco depende de quem os utiliza, e não da quantidade de elementos envolvidos. Seu legado de virtuosidade alcança um novo patamar com Living In The Light.

Embora tenha sonoridade única e abrangente, o disco se destina principalmente a quem já aprecia Tommy Emmanuel ou sua proposta musical. Pode parecer cansativo ou monótono quando ouvido em sequência, mas merece atenção de quem busca absorver uma verdadeira experiência auditiva.



Destaques:

Melhor arranjo:

“Young Travelers” – cores e imagens vívidas na execução.

Melhor harmonia:

“You Needed Me” – emoção pura sem palavras.

Melhor solo:

“Ya Gotta Do What Ya Gotta Do” – final preciso e cheio de técnica.

Melhor riff:

“Black and White to Color” – dançante e desafiador, no melhor estilo Boogie Woogie.