
Em outubro de 2025, o virtuoso Tommy Emmanuel lançou mais um trabalho de inéditas, intitulado Living In The Light. O álbum foca principalmente em faixas instrumentais de violão clássico, mas também apresenta músicas com arranjos mais completos, incluindo outros instrumentos e até vocais.
O disco foi produzido pelo próprio Tommy, em parceria com Vance Powell, responsável pela gravação e mixagem. Sua principal característica é a mistura de referências e estilos, transitando do pop contemporâneo até os primórdios da música clássica. Segundo o próprio Tommy, o álbum sintetiza sua alma e suas experiências de viagens pelo mundo, refletindo a maneira única como ele desenvolveu sua forma de tocar.
Durante a gravação, Tommy utilizou seu violão Signature Maton EBG808TE. A maior parte das faixas foi gravada em no máximo dois takes, fato que deixou o músico visivelmente satisfeito e realizado com mais este lançamento.
No repertório instrumental, várias faixas parecem transcender a experiência auditiva, com títulos que funcionam como diretrizes subjetivas para o que deve ser visualizado e sentido.
Em “Young Travelers”, por exemplo, é possível perceber a sensação de viagem, seja pelas estradas do mundo ou pelo próprio percurso da vida, onde experiências pessoais se transformam em paisagens sonoras. “A Drowning Heart” explora o modo Lídio, criando intensidade sem definição precisa e convidando o ouvinte a refletir sobre seu próprio coração. “Scarlet’s World” é uma homenagem à neta de Tommy, celebrando sua trajetória de vida.
“Gdansk”, o nome de uma cidade portuária da Polônia, é uma música que transmite uma paisagem nostálgica por meio de progressões descritivas. “Little Georgia” segue o mesmo princípio, mas com tom melancólico e contemplativo. “Initiation 25”, por sua vez, é a faixa mais obscura do álbum, repleta de delays, fraseados marcantes e acompanhamento percussivo, construindo tensão que só se resolve no final. “Black and White to Color” combina rockabilly, harmonia erudita e licks de blues, criando uma fusão singular. “You Needed Me” encerra o bloco instrumental com uma balada sensível, cheia de acordes diminutos e dominantes, expressando sentimentos sem palavras.
Tommy também explora sua voz neste trabalho. “Maxine” é uma balada country com refrão marcante e solo de guitarra, surpreendendo o ouvinte que até então se deparava apenas com instrumentais acústicos. “Ready For The Times To Get Better” adota abordagem intimista com voz e violão. O álbum fecha com “Ya Gotta Do What Ya Gotta Do”, marcada por groove estático, baixo compassado e melodia vocal em estilo pergunta-resposta.
Ao final da audição, fica claro que a genialidade de Tommy Emmanuel é imensurável. Ele consegue inovar usando poucos recursos, mostrando que a qualidade de um disco depende de quem os utiliza, e não da quantidade de elementos envolvidos. Seu legado de virtuosidade alcança um novo patamar com Living In The Light.
Embora tenha sonoridade única e abrangente, o disco se destina principalmente a quem já aprecia Tommy Emmanuel ou sua proposta musical. Pode parecer cansativo ou monótono quando ouvido em sequência, mas merece atenção de quem busca absorver uma verdadeira experiência auditiva.
Nota do álbum:
Destaques:
Melhor arranjo:
“Young Travelers” – cores e imagens vívidas na execução.
Melhor harmonia:
“You Needed Me” – emoção pura sem palavras.
Melhor solo:
“Ya Gotta Do What Ya Gotta Do” – final preciso e cheio de técnica.
Melhor riff:
“Black and White to Color” – dançante e desafiador, no melhor estilo Boogie Woogie.