Há algo curioso que une as histórias desta edição. Nenhum desses guitarristas começou pensando em mercado, algoritmo ou posicionamento. Começaram por pertencimento. Começaram porque a música já estava na sala, na igreja, no quintal da avó ou no repertório das bandas de baile.

Rodrigo Gouveia encontrou a guitarra como quem encontra direção. Ao assistir ao Oficina G3 ao vivo e ver Juninho Afram executar “Glória”, a admiração virou meta. O que era emoção virou disciplina. O que era influência virou identidade. Seu “som clean”, inspirado em George Benson, não é apenas questão de timbre. É uma escolha estética. É narrativa.
Cacá Barros percorreu outra trilha, mas com o mesmo eixo. Da igreja aos guitar heroes, das referências de Joe Satriani à construção de uma carreira digital consistente, ele mostra que a técnica só ganha sentido quando serve à intenção. Virtuosismo, quando não é vaidade, vira linguagem. E linguagem cria conexão.
Wander Lourenço praticamente nasceu com a guitarra nas mãos. Filho e neto de músicos, teve como escola as bandas de baile, onde repertório não é luxo, é sobrevivência. O impacto do primeiro Rock in Rio e o duelo final de Crossroads selaram um destino que já estava desenhado. Hoje, entre palco e tecnologia, sua atuação com a Vosstorm revela um profissional que entende que som também é engenharia, estratégia e adaptação.
Percebe o elo?
Todos começaram pelo encantamento. Permaneceram pela consciência. A guitarra, para eles, não é fetiche. É ferramenta. É linguagem. É profissão. É uma extensão da vida!
E essa maturidade ecoa também no restante da edição. Temos o review do novo plugin Neural DSP desenvolvido em parceria com John Mayer, analisando como tecnologia e assinatura artística podem coexistir sem caricatura. Trazemos ainda a resenha do disco de despedida do Megadeth, um capítulo final que transforma peso em legado. E revisitamos o inusitado álbum ao vivo de Jackson Browne, prova de que palco também pode ser laboratório criativo.
Se existe uma linha invisível costurando tudo isso, ela passa por responsabilidade artística. Menos romantização vazia. Mais construção real. Menos improviso de carreira. Mais visão de longo prazo. A guitarra continua sendo um sonho. Mas, como você verá nas páginas e episódios desta edição, ela também é um projeto.
Bend up!