Edição nº 148
Edição nº 148

“O que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”

Carta ao leitor

Por: Gustavo Morais

Não, queridos leitores e leitoras. A ed. nº 148 da Revista Guitarload não é sobre a clássica banda de rock brasileiro citada na pergunta acima.

A publicação, no entanto, dialoga com os versos sobre autenticidade escritos por Dinho Ouro Preto e companhia. A partir deles, surge uma questão simples, mas incômoda: o que faz um músico ser autêntico? Não no sentido abstrato que domina as redes, mas na prática. Na escolha diária.

O guitarrista Deleo poderia ter aceitado a parceria com uma determinada marca. Demian Tiguez poderia ter desistido de tocar com a guitarra furadinha. Gabriel Braga poderia ter desenvolvido apenas a habilidade de tocar como canhoto. No fim, não é sobre o que cada um fez. É sobre o porquê.

Nas conversas com esses três guitarristas, uma ideia ficou clara: a construção de uma voz própria não acontece nos grandes momentos. Ela surge nas decisões pequenas. Dizer não para o patrocinador errado. Insistir em um equipamento que ninguém entende. Tocar menos para servir melhor à música. É um processo silencioso — e, por isso, difícil.

Esta edição também trata de longevidade. E ela aparece em duas frentes.

A primeira é o corpo. Trouxemos um especialista em cirurgia de mão para abordar um tema negligenciado: o desgaste físico do guitarrista. A segunda é a carreira. Mike McCready transformou a tensão emocional em linguagem musical por décadas. São histórias de permanência. Mas, acima de tudo, de identidade sob pressão.

E também apresentamos uma resenha sobre o disco de estreia de Mateus Asato. Asato divide opiniões porque não facilita a escuta. Ele exige atenção. Troca quantidade por narrativa. A resenha encara essa tensão de forma direta.

No fim, tudo é uma questão de escolhas e todas apontam para a mesma direção: o instrumento é meio, não fim.

Bend up!