
A conceituada banda de southern blues rock Tedeschi Trucks Band lançou, em março de 2026, seu novo trabalho, Future Soul. O sexto álbum de estúdio do grupo liderado pelo casal Derek Trucks e Susan Tedeschi mantém suas raízes ao mesmo tempo que incorpora recursos contemporâneos, estabelecendo um novo horizonte para a banda sem perder de vista o que já funciona tão bem em sua trajetória.
Para a gravação do disco, o grupo realizou sessões em seu próprio estúdio, o Swamp Raga Recording, situado em Jacksonville, na Flórida, e também no Phantom Studios, em Gallatin, Tennessee. A produção ficou a cargo do próprio Derek Trucks, ao lado de Mike Elizondo, em uma abordagem colaborativa e abrangente que transita por referências de soul, funk, jazz e até country, tornando o resultado final bastante versátil e singular.
Equipamentos e sonoridade
Por terem gravado em ambiente próprio, os integrantes tiveram fácil acesso ao vasto acervo de instrumentos da banda, o que se reflete diretamente na riqueza sonora do disco. Entre as escolhas que mais se destacam está a companheira inseparável de Derek Trucks, a Gibson SG Custom Dickey Betts. Trucks mencionou ainda o uso de outros clássicos da Gibson, tanto por ele quanto por Susan, como uma ES-335 de 1964, uma Flying V de 1959 e uma Les Paul de 1960, além dos violões Gibson “Banner” J-45 e Martin D-18.
Nos amplificadores, foram utilizados equipamentos como Fender Vibroverb, Supro S6422TR, Silvertone 1484 e um Leslie 16. Já na pedaleira, que reuniu uma quantidade expressiva de unidades, os destaques ficam com o Octonaut Hyperdrive, o Tycobrahe Octavia, o Fender Reverb ’63 e o Maestro Echoplex EP-4 — sendo este o principal espaço de experimentação e renovação sonora do álbum.
Mergulhando na música de Future Soul
O disco abre com “Crazy Cryin'”, cujo riff carregado de groove serve de alicerce para versos funkeados que culminam em um refrão harmonioso. A faixa conta ainda com um solo de timbre inconfundível. Em seguida, “I Got You” apresenta um rock sulista leve e contagiante, que ganha uma quebra interessante com a entrada dos instrumentos de sopro antes de encerrar com mais um solo marcante. “Who Am I” é uma balada com leve toque de smooth jazz, tendo o solo como ponto central de sua composição.
“Hero” aposta na dualidade entre versos dramáticos e um refrão explosivo, além de uma seção intermediária com elementos experimentais e levemente psicodélicos. A introspectiva “What in the World” mantém o clima das baladas, com sutis intervenções de country em seu percurso. A faixa-título, “Future Soul”, talvez seja a que melhor sintetize a proposta do álbum: a relação de pergunta e resposta entre o riff de guitarra e os vocais no verso, combinada a um refrão ambicioso e um solo com timbre mais encorpado, representa com clareza o blues rock contemporâneo que a banda abraçou neste trabalho.
“Under the Knife” destaca a participação de Mike Mattison, vocalista de longa data do projeto, e evoca a sensação de um dia quente em um parque no Sul dos Estados Unidos. “Be Kind”, por sua vez, traz arranjos de guitarra e metais com uma melodia vocal que remete ao Allman Brothers, conferindo ao disco um providencial momento de nostalgia.
No bloco final, “Devil Be Gone” é um shuffle de alto nível com todos os elementos que definem o blues de classe — com destaque para os arranjos de slide de Trucks, que adicionam dinâmica e expressividade ao som. “Shout Out” reafirma a pegada de southern rock da banda, consolidando a grandiosidade e a versatilidade do estilo. O encerramento fica por conta de “Ride On”, uma faixa contemplativa que fecha o álbum de forma apoteótica.
Impressões sobre Future Soul
A Tedeschi Trucks Band é um projeto reconhecido pela pluralidade de abordagens, capaz de convergir uma quantidade expressiva de referências com naturalidade e coerência. Em Future Soul, isso não é diferente: a variedade de sonoridades se articula com tanta harmonia que as influências parecem se fundir em algo novo, quase como um gênero próprio.
Trata-se, sem dúvida, de um dos trabalhos mais consistentes da banda — e uma nota 3,0 reflete com justiça as boas sensações que o álbum proporciona ao longo de sua escuta.
Nota do álbum:
Destaques do álbum, segundo o resenhista:
Melhor riff:
“Crazy Cryin'” → envolvente e memorável, como todo grande riff deve ser.
Melhor solo:
“I Got You” → incisivo e marcante, além de muito expressivo e técnico.
Melhor timbre:
“What in the World” → a guitarra parece chorar de tão bem equalizada que está.
Música favorita:
“Devil Be Gone” → um som que remete aos clássicos do blues, mas com individualidades estupendas nos vocais de Susan e na guitarra de Derek.