
Em abril de 2026, o guitarrista e compositor australiano Plini, que foi descrito por Steve Vai como o “futuro da guitarra excepcional”, lançou seu mais novo álbum, An Unnameable Desire. No disco, ele explora ainda mais as possibilidades rítmicas, melódicas e harmônicas que a guitarra pode lhe oferecer, transitando entre diversas influências e buscando diferentes texturas para sua sonoridade através de referências que vão desde o progressivo clássico até o fusion contemporâneo.
Para a gravação do seu disco, Plini utilizou sua Strandberg Signature e contou com um time de músicos sensacionais como apoio: o baixista Simon Grove, que também foi responsável pela mixagem do projeto, o baterista Chris Alison, o pianista Dave Mackay, AJ Minette nas cordas, Misha Vayman e Yoshi Masuda no violino e violoncelo, e John Waulg no saxofone e flauta. O disco foi gravado e produzido de maneira independente, e sua masterização ficou por conta de Adam “Nolan” Getgood.
Um raio-x sonoro sobre o novo disco de Plini
O álbum foi composto em camadas, de forma que a ordem em que será ouvido é de suma importância para o entendimento da proposta como um todo. Começando por “Dorénavant”, que funciona como uma introdução obscura e mostra de maneira longínqua o que está por vir, seguida pela faixa-título, que começa discreta e progride para diferentes ambiências em sua estrutura. Em seguida, vamos para “Ciel”, que conta com a participação do também virtuoso guitarrista polonês Jakub Zytecki, em uma música que explora diferentes variações rítmicas sobre uma harmonia fixa.
Depois temos “Canyon”, que traz uma abordagem mais voltada para o metal progressivo, com riffs complexos e enérgicos direcionando os horizontes sonoros da faixa. Já em “Now and Then”, vemos uma grande influência do jazz fusion, na qual a harmonia e as quebras de tempo funcionam como o epicentro da genialidade da faixa. “Manala” traz novamente a linguagem do metal para o foco, com uma bateria com pedal duplo e riffs intensos e virtuosos, mas desta vez com enfoque nas melodias, contendo momentos de quebra rítmica e introspecção em sua composição, caracterizados por solos complexos e emotivos.
No bloco final do disco, começamos com “Ruin”, uma música em modo lídio que parece descrever um local onde uma batalha épica está prestes a ocorrer, tendo como ponto principal um solo magistral. “After Everything” tem um início melancólico, mas que logo demonstra um toque de esperança, que rapidamente se torna o sentimento principal da música, passando um ar de certeza de que algo bom está por vir. Os arranjos e solos da guitarra, com elementos intensos de fusion, parecem evidenciar ainda mais isso. Fechando o disco, temos a enigmática “The Time Will Pass Anyway”, com uma composição progressiva e focada na harmonia, que traz uma sensação de finalização indefinida, concluindo o trabalho do álbum, mas deixando claro que ainda há mais genialidades por vir.
Impressões sobre An Unnameable Desire
Ao término do disco, percebemos que ele se trata de uma aventura baseada na liberdade, funcionando de maneira descritiva e abrangente. O próprio Plini expressou que seu processo criativo se deu da maneira mais experimental possível, expandindo determinada ideia até que ela tomasse a devida forma de uma música.
Por fim, An Unnameable Desire é um trabalho repleto de momentos interessantes e admiráveis em sua composição; porém, os elementos deste trabalho são muito específicos e devem funcionar melhor aos ouvidos daqueles que já apreciam este tipo de linguagem musical. Sendo assim, não é um álbum pensado em arrebanhar novos adeptos para a moderna e inovadora abordagem que Plini propõe com seu virtuosismo tão ímpar.
Nota do álbum:
Destaques do álbum, segundo o resenhista:
Melhor riff:
“Canyon” — poderia dizer melhores riffs, todos muito bem construídos e encaixados, compondo bem a história da música.
Melhor solo:
“Manala” — expressividade e complexidade técnica na medida certa.
Melhor harmonia:
“Now and Then” — os recursos harmônicos conduzem o som e o fazem acontecer como ingrediente principal.
Melhor timbre:
“After Everything” — é o som com maior variabilidade de timbres de guitarra, e todos soam interessantes e balanceados.